Os poemas da Babi - Brincando de escrever

O Sofá

Um dia estava sentada em meu sofá

quando sentei mais para ler e encontrei om meu caderno

onde desenhei um terno

O terno era preto e a gravata era branca, mas estava em cima da manta

Depois eu desenhei um telefone que era importante

Pois era um telefone antigo, mas muito bonito.

Por fim eu desenhei uma coisa muito importante lá, que era o próprio sofá

Na sua blusa - Poema escrito pela Bruninha

A Bruninhla, a minha caçulinha de 8 anos, escreveu este poema ano passado. Sem orientação, sem cobrança, sem nada. Em um momento de pura inspiração. Depois me entregou para ler. Guardei a jóia da minha pequena Escritora.

 

NA SUA BLUSA

 

A cor azul e a cor caramelo se transformam na cor vinho

E agora é a sua vez de brincar com as palavras

Aquela que sair de tua imaginação

E saem de tua imaginação porque são cascudas

Eu escrevi porque deixei a minha imaginação voar

E eu não sei o que é cascudo

Mas eu sei o que quer dizer borboleta

E família também

Sabia que têm famílias de palavras?

Tem família do que você quiser

É só deixar a tua imaginação voar para qualquer lugar

Só precisa de palavras para poder escrever

 

Bruninha (agosto de 2.010 – 7 anos)

Bibica - O nosso Árbitro mais famoso

 

 

O campeonato municipal de futebol era a diversão de toda a Cidade nas quentes tardes de domingo. Para não dizer a única, pois a cidade era visitada uma vez por ano por um Circo decadente, e nada mais, a não ser a Quermesse do Padroeiro da cidade que acontecia em Junho.

 

 

Havia uma época em que os “atletas” eram disputados entre as equipes do certame. Preenchia-se uma ficha de inscrição que conferia uma idéia de compromisso formal com o time. Mudar de equipe no meio da competição, nem pensar.

 

 

 

Domingo à tarde, após o almoço, era o momento de seguir para o campo de futebol que ficava às margens do Rio Juquiá,  e um pouquinho antes do matadouro de bois oficial da cidade.

 

Debaixo de 40 graus juquiaenses, o público esparramava-se ao redor do campo de jogo, e do alto da ponte que cruzava os dois lados do rio. Interessados em uma briga generalizada, um boi que escapasse de seus algozes, ou uma catástrofe inesperada. Futebol mesmo, não merecia a atenção.

 

 

Caminhões que traziam as equipes e os torcedores funcionavam como vestiários improvisados. Para aumentar a concentração antes do jogo, alguns atletas arriscavam uma garrafa de cachaça que passava de mão em mão, ou, os mais afoitos, um mergulho no rio.

 

Equipes em campo, ele chegava. A estrela maior de uma constelação de craques. A única pessoa capaz de desviar a atenção das jogadas mais disputadas e colocar os jogadores indisciplinados para fora do campo com gestos teatrais que impunham um respeito danado.

 

 

Chegava à beira do campo como quem não queria nada. Radinho de pilhas no ouvido (que se tornou sua marca registrada), parava sua bicicleta onde dependurava seus chinelos e borracha, e atendia prontamente ao convite dos jogadores para que fosse o árbitro da peleja.

 

 

Quando não acontecia briga entre as equipes, o jogo poderia ser interrompido por alguns fatos inusitados para uma grande cidade, mas não para Juquiá. Poderia ser uma vaca que escapando do matadouro invadisse o campo, ou a bola caindo no Rio Juquiá, à espera de alguém mais empolgado para mergulhar em suas águas barrentas para recuperar a “gorduchinha”.

 

Apito na boca, Bibica assistia impassível às interrupções. Afinal, a estrela maior era ele.

Severina

 

Severina era uma mulher que aparentava uns trinta anos, baixinha e com os cabelos curtos, desfilava pelas ruas de Juquiá vestida com um chapéu de feltro preto sobre a cabeça e algumas sacolas às mãos.

 

 

Ninguém sabia ao certo de onde viera e para onde iria. Seguia seus dias a caminhar exageradamente bêbada.

 

 

Quanto a nós, meninos, era chamá-la para que começasse a dançar e a cantar. Tantas quantas fossem as vezes em que repetíssemos a brincadeira.

 

 

Alguns meninos tinham medo da Severina. Outros a provocavam até que ela partisse atrás sacudindo as sacolas. No meio da correria, parava para cantar e dançar.

 

 

Às vezes o chapéu caia da cabeça. Ela abaixava para apanhá-lo e caia junto dele, totalmente desequilibrada pelos efeitos da bebida, sua companheira fiel desde as primeiras horas do dia.

 

 

Levantava-se apoiada em um esforço descomunal, olhava para os lados, e sorrindo seguia seu caminho pelas ruas empoeiradas da cidade.

 

 

Severina. Este era seu nome. Dela pouco se sabia. Apenas soube-se certo dia, que houvera sido assassinada em uma briga de bar.

 

 

Ninguém soube ao certo o motivo do crime, falavam de um amor antigo que viera buscá-la, outros apelavam para histórias envolvendo um filho que não concordava com sua dependência pela bebida e resolvera colocar um fim a sua sina.

 

 

Para nós, sua morte significou que nossa brincadeira de criança de vê-la cantar e dançar acabou de repente.

Ataliba e a onça

 

O Ataliba era um dos amigos que meu avô, o Zé Bauru, fez ao longo de sua vida no Vale do Ribeira.

 

Pessoa simples dedicada ao comércio, o Ataliba era conhecido pelo sorriso franco e por uma das pernas era mais curta do que a outra. Assim seguia o Ataliba pelas ruas empoeiradas de Juquiá, mancando e sorrindo.

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Histórias de Juquiá - Parte I

Se você não diminuir a velocidade do carro ao chegar ao quilômetro 157 da Rodovia Régis Bittencourt (BR 116), é capaz de passar por Juquiá sem se dar conta disso. Isto porque é bem provável que você não tenha visto Biguá, Oliveira Barros e Cedro, que são povoados que a antecedem.

 

Juquiá possui proporções, digamos assim, bem reduzidas, mas é foi um rico celeiro de personagens e situações que povoaram minha infância.  

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Pacaembu lotado, e a derrota corinthiana

O sábado último foi marcado por uma visita da família toda ao Pacaembu para assistir à partida do Corinthians, jogando pelo Campeonato Brasileiro.

Casa cheia, as meninas empolgadas, todos gritando e cantando juntos. Foi muito interessante ver a maneira como a Bruninha, a caçula reagia, indiferentemente, ao jogo. O motivo, ela é torcedora de outro time. Mas aprendeu dois novos palavrões para sua coleção. A dificuldade foi explicar seu significado para ela.

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Problema existe para ser resolvido

Conta a lenda que um monge apresentou aos seus discípulos uma mesa finamente trabalhada em madeira, encimada por um vaso da mais cara porcelana, e lhes disse: Eis o problema! Como fazer para superá-lo?

Enquanto os demais monges circundavam a peça com uma mistura de encanto e dúvida, um dos discípulos avançou sobre ela para destruí-la com um golpe certeiro de espada que destruiu a mesa e o vaso.

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Caso Sakineh - Irã condena mulher à morte por apedrejamento

É possível dividir a resposta em duas etapas bastante rápidas em função da agilidade e informalidade do meio utilizado:

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O Poder do grito

As minhas filhas  são praticantes de Tae Kwon Do, uma arte marcial coreana que prima pelos chutes e socos como técnica de combate. É um esporte olímpico que tem uma brasileira como a terceira melhor do mundo em sua categoria.

 

Pois bem, em uma recente competição, assisti angustiado a Bárbara perdendo a luta por receio de aplicar um golpe corretamente. Embora possa causar calafrios aos mais pacifistas, é bom que se diga que a luta é regida por pontos e não nocaute. E pára quando o competido acerta o colete ou o capacete do adversário.

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